Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica

O inverno está chegando e os cuidados devem ser redobrados com os problemas respiratórios. A Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC) é uma enfermidade muito importante na medicina equina, especialmente em animais atletas, onde ocorre uma diminuição significativa no desempenho do animal.

 

            Com o início do inverno os problemas respiratórios começam a aparecer em maior frequência e temos que nos atentar para algumas doenças, principalmente as que diminuem a performance dos cavalos e podem comprometer até mesmo a sua vida.

            A D.P.O.C. também é conhecida como obstrução recorrente das vias aéreas (ORVA), enfermidade inflamatória da respiraçãoonde ocorre uma diminuição na performance do animal e intolerância aos exercícios.

            A provável etiologia do distúrbio é a repetida agressão alérgica às mucosas das vias respiratórias condutoras, devido a inalação de partículas alérgenas como amaravalha utilizada como cama para as baias, o pó proveniente das rações,farelos, feno, soja, trigo e outros fatores etiológicos são também responsabilizados pelo desencadeamento da DPOC, como o vírus, principalmente da influenza equina, bactérias como o Streptococcuszooepidemicus, CorynebacteriumequieBordetellabronchiseptica; parasitas com o ciclo pulmonar, Dictyocaulusarnfield (fase larvária 4) e Parascarisequorum; fungos como o Aspergillusfumigatus, Aspergillusniger, Alternaria, PenicilliumeRiffizopussp, produzindo pneumonite alérgica por reação de hipersensibilidade.

            Devidos aos fatores acima citados ocorre uma redução de diâmetro dos brônquios (conforme figura 1 e 2), presenças de processo inflamatório e obstrutivo brônquico e limitação crônica e progressiva do fluxo de ar nas vias respiratórias, resultando em manifestações clínicascomo aumento da frequência respiratória durante o repouso, tosse crônica, secreção nasal, dificuldade expiratória, perda de apetite e até mesmo redução do peso. Nos casos mais graves as narinas podem apresentar-se mais dilatadas e o abdômen com uma linha muscular de esforço (figura 3).

            A evolução da doença depende da eliminação ou da presença contínua da causa desencadeante. Quando eliminada nas fases iniciais, pode ocorrer cura completa. Na presença contínua da causa desencadeante, é comum a ocorrência de recidivas, ou a doença evolui e os equinos acometidos ficam gravemente incapacitados.

            O tratamento da D.P.O.C. envolvemedicamentos específicos e a correção do manejo geral.Os animais devem ficar em locais arejados, toda poeira de baia deve ser evitada e a cama não deve conter partículas que permaneçam em suspensão no ar. Na alimentação deve-se fornecer feno de boa qualidade, que não contenha mofo e deve ser umedecido antes de ser ingerido. Os concentrados devem ser fornecidos na forma de “pellets”.Deve-se aliviar a insuficiência respiratória do animal e ser direcionado para a causa da doença. O tratamento pode envolver o combate a infecções bacterianas secundárias através da utilização de antibióticos por um curto período de tempo e sob supervisão de um médico veterinário. Outro aspecto importante da terapiaé diminuir a inflamação presente nos pulmões, a qual está associada à reação alérgica. Os medicamentos que podem ser utilizados para a reversão da diminuição do brônquio são os corticosteróides e broncodilatadores, que aliviam o estresse respiratório por causar um relaxamento das vias aéreas. Deve-se, no entanto, ter cautela quanto ao uso destes produtos devido aos seus possíveis efeitos adversos. Os corticosteróides, por exemplo, suprimem o sistema imune e podem predispor o organismo a infecções, além de favorecerem o desenvolvimento de laminite. Já a atropina, quando usada como broncodilatador, pode ter grande impacto negativo sobre a motilidade intestinal, induzindo a síndrome cólica em alguns casos.

            Portantoa correção ou melhora do manejo ambiental e alimentar dos animais e uso de medicamentos broncodilatadores eficazes e seguros para controle e prevenção das alterações respiratórias são os pontos principais para o sucesso da terapia.

            Colaboração: André Hernandez, médico veterinário.

 

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