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4 y COM A PALAVRA O VETERINÁRIO...
Dermovilite exsudativa
JUNDIAÍ, FEVEREIRO DE 2019
vegetante crônica
Os cascos dos equídeos A Dermovilite Exsudativa Vegetante Crônica, ou co-
são estruturas mumente chamada Cancro de Ranilha, é uma doença que
aparentemente fortes e consiste em lesões causadas por bactérias na ranilha, bulbos, po-
dendo afetar até a quartela. Pode atingir todos os equídeos (equi-
resistentes, mas precisam nos, muares, asininos), de todas raças, sexo, idade e uso. Po-
de cuidados diários, pois dendo ainda se desenvolver em um ou em todos os cascos.
muitas vezes se não forem Causas, desenvolvimento e aspecto
devidamente monitorados e Os principais motivos desencadeadores da doença, são a falta
tratados, podem desenvolver de limpeza e cuidado com os cascos, a falta ou más condições de higiene,
diferentes tipos de tanto de piquetes úmidos e embarreados, como também de baias sujas
enfermidades, afetando a com acúmulo de fezes, urina e umidade. Esses fatores associados à falta
de casqueamento periódico resultam em cascos muito longos e acúmulo
qualidade de vida e de matéria morta e podre em suas solas e ainda sem uma limpeza diária
podendo levar até a perda dos cascos, criam um ambiente favorável para o crescimento bacteriano!
Por ter seu início mais lento a Dermovilite pode ser confundida com
funcional do animal. Pododermatite Exsudativa (popular Broca). Com o tempo há grande
crescimento dessas bactérias, aos poucos uma massa composta por
queratina branca prolifera na ranilha, tecidos sadios tornam-se fracos,
amolecem e podem levar inclusive à claudicação (manqueira), com- Casco sadio/tratado
prometendo o uso do paciente. Nesse ponto o crescimento da massa
passa a ser rápido e desordenado, tomando os tecidos sadios, há se- Importante destacar nesse ponto
creção negra, pútrida e odor fétido, com acelerada necrose de tecidos. Que o tratamento pode ser longo, de evolução lenta, exige
A consulta de um Médico Veterinário especialista e com boa ex- muita dedicação, por vezes é até ingrato, mas vale a perseverança!!!
periência, o mais cedo possível, é muito importante para o correto diag- A higiene tanto da baia, quanto dos curativos, será fun-
nóstico e definição do protocolo de tratamento. Quanto mais cedo houver damental para o sucesso do quadro. Cada caso se comporta
tratamento correto, mais cedo será seu sucesso e mais rápida será a cura. à sua maneira, exigindo por vezes várias mudanças e adap-
O tratamento Médico via de regra se inicia por boa limpeza e debri tações do tratamento. Nem todo animal responde igual a ou-
dos tecidos patológicos e necróticos. Manter o animal em baia seca e limpa é tro, exigindo conhecimento específico do Médico Veteterinário.
fundamental. Certos casos também exigem um correto casqueamento inicial. Certos casos mais graves e avançados exigem, antes de se ins-
A partir daí, instituem-se os curativos secos oclusivos e frequen- tituir o tratamento clínico, um procedimento cirúrgico, com a ressecção
tes, com medicamentos adstringentes e antimicrobianos específicos, e correta de tecidos patológicos. Também em quadros graves e insta-
Osimar Giuntini, medicação parenteral de eleição, de acordo com cada protocolo médico. lados há tempo, podem atingir tendões, ossos e ligamento, podendo
veterinário O tratamento parenteral será à base de bacteriostáticos e anti-in- resultar em claudicação permanente. Pode também causar crescimen-
flamatórios. Em certos casos a soro-vacinação antitetânica será necessária. to irregular do casco, levando ao encastelamento de difícil correção.

